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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Retrocesso nas arquibancadas



A imprensa tem informado que a Lei Geral da Copa pode permitir a venda de cerveja nos estádios durante o mundial de 2014.


A sociedade lutou durante anos para institucionalizar essa regra e, após um longo período de conscientização e adaptação, a população em geral e os frequentadores dos estádios em particular entenderam que é uma medida benéfica. Ao concordar com essa exceção, vamos retroceder décadas em 30 dias. Além disso, vamos abrir um precedente para que a CBF e outras federações nacionais exijam o livre comércio em jogos da sua competência.

Na prática, a concessão pode sabotar a lei. No Brasil, uma das grandes dificuldades para o funcionamento da legislação é que uma nova regra “pegue”. A proibição de bebidas nos estádios “pegou”, ou seja, após anos de luta superou o principal obstáculo. E é justamente esse ponto que ficará vulnerável se for atendida a exigência da FIFA. Ao verem pela televisão torcedores com suas cervejas na mão, muitos se perguntarão: Por que na Copa pode e no Brasileirão não pode?



Esse questionamento, errado, mas compreensível, pode promover o retrocesso, fazer retornar o álcool aos estádios e com ele todas as conseqüências negativas relacionadas à embriaguez.

Devemos sempre lembrar que o álcool é um grande problema de saúde pública, principalmente nos estádios. É uma droga que amplifica rivalidades e facilita a expressão da agressividade. Em jogos de futebol isso pode ser explosivo, já que por sua natureza concentra grupos em natural oposição.




Outra questão relevante é a relação entre cerveja e esporte, principalmente os ídolos do futebol. Isso é, na verdade, muito mais grave do que vender cerveja nos estádios. Se tivesse responsabilidade, a FIFA não permitira que uma cervejaria patrocinasse a Copa. Da mesma maneira a CBF e jogadores famosos não contribuiriam para a divulgação, e consequente estímulo do consumo, de bebidas alcoólicas. Nenhum deles, aliás, enfrentaria dificuldades financeiras se adotasse essa postura.

A propaganda é o principal fator para o consumo precoce, ou seja, entre jovens e adolescentes. E quando esses anúncios são protagonizados pelo técnico ou o artilheiro da seleção o estrago é multiplicado. Seria importante que, antes de participar desses comerciais, nossos ídolos se lembrem dos inúmeros jogadores promissores que tiveram suas carreiras interrompidas por causa do alcoolismo. E das 57 mortes diárias relacionadas ao álcool no país. E assumam sua parcela de responsabilidade nessa tragédia.

O futebol é um espetáculo que não depende do álcool para o seu sucesso. Queremos a Copa no Brasil, mas é preciso estabelecer limites. Não é aceitável negociar a saúde da população para receber o evento.


Fonte: ABEAD

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

XXI Congresso Brasileiro da ABEAD



A Abead promove entre os dias 8 e 11 de setembro, a 21ª edição de seu Congresso, em Recife- Pernambuco. Com o tema “Do Uso à Dependência: A Integração das Políticas Públicas com a Clínica”, o evento tem como grande destaque sua programação científica, envolvendo os mais diversos temas.


Entre eles, destacam-se a Terapia Dialético Comportamental, Universidade e Drogas, Adolescência em Risco, A Política nas Empresas, O que é Redução de Danos?, Álcool não é uma mercadoria qualquer, Maconha: o debate sobre diferentes níveis de sua liberação, entre outros.

Além disso, palestrantes nacionais e internacionais prometem dar maior credibilidade ao evento. Especialistas como o americano Richard Saitz, o português Jorge Negreiros e a espanhola Carmen Orte já foram confirmados. Participe!.


Maiores informações aqui: 



sábado, 13 de agosto de 2011

Álcool nas prateleiras


As vendas nos supermercados brasileiros cresceram 3,68% em janeiro deste ano, se comparado ao mesmo mês do ano passado. Os dados são de um levantamento divulgado no começo desta semana pela Abras (Associação Brasileira dos Supermercados). Em termos de volume, as vendas também expandiram, chegando a alcançar uma taxa 6,7% maior no balanço de 2010, referente ao de 2009


O resultado até seria digno de comemoração se não tivesse sido puxado pela cesta de bebidas alcoólicas, cuja alta foi de 15,1%. A cerveja está mais uma vez entre os produtos que registraram maiores altas de vendas no último ano e foi uma das grandes responsáveis pelo lucro dos proprietários das redes de supermercado. Apesar de janeiro ser um mês pesado para os gastos familiares, com impostos e despesas escolares, o brasileiro continua “bebendo grande parte do salário”.


A Abead acredita que apesar dos índices demonstrarem um favorável aquecimento do mercado, dessa vez não há motivos para alegrias. O álcool não é uma mercadoria qualquer e por isso não deve ser tratado como tal. A simples exposição do produto aos frequentadores de supermercado pode ser considerada uma apologia ao “beber”, que se consuma na oferta de doses gratuitas em promoções eventuais, especialmente entre os vinhos. Além disso, as crianças que acompanham os pais durante as compras são precocemente expostas ao estímulo de beber pela mesma disposição de bebidas alcoólicas em suas embalagens coloridas e atraentes nas infinitas prateleiras. É por esses e outros motivos que a Associação defende a venda exclusiva do álcool por lojas específicas com regulamentação própria.

Fonte: ABEAD
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