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domingo, 14 de agosto de 2011

Amanhã: 9ª Caminhada com Maria


Vamos todos caminhar com Maria. Falta apenas 1 dia. Amanhã a partir das 14h no Santuário da Assunção.

Convocação geral aos Agentes da Pastoral da Sobriedade Fortaleza, Regional NE 1 e a todos que estiverem por aqui de férias, a passeio por Fortaleza, vamos todos caminhar com Maria...




Observações Importantes:

Não esqueça de levar rádio ou celular com rádio, pois as rádios AM Shalom 690 e FM Dom Bosco 96.1 estarão transmitindo ao Vivo.

Você morador da Av. Leste Oeste, deixe seu rádio sintonizado em uma das frequências acima, durante toda a caminhada. Você estará contribuindo diretamente com a evangelização do povo de Deus.

Dê preferencia a roupas leves para fazer a caminhada, por exemplo: Roupas de cor clara, como a camisa oficial do evento, tênis e boné.

Vá bem alimentado para a caminhada, porém evite alimentos pesados e gordurosos. É sempre bom levar alimentos como frutas para servir de lanches no percurso.

Não esqueça sua garrafinha com água. Hidratação é essencial para uma caminhada tão longa.

Por segurança, sempre indicamos não levar objetos de valor como bolsas, jóias e relógios.


"Sobriedade e Paz, só por Hoje, graças a Deus".

Passo da Semana (14 a 20/08): 10º - SERVIR

Senhor, SERVINDO, a exemplo de Maria, nossa mãe e de todos, queremos, gratuitamente, fazer dos excluídos os nossos preferidos, através da Pastoral da Sobriedade.

sábado, 13 de agosto de 2011

Álcool nas prateleiras


As vendas nos supermercados brasileiros cresceram 3,68% em janeiro deste ano, se comparado ao mesmo mês do ano passado. Os dados são de um levantamento divulgado no começo desta semana pela Abras (Associação Brasileira dos Supermercados). Em termos de volume, as vendas também expandiram, chegando a alcançar uma taxa 6,7% maior no balanço de 2010, referente ao de 2009


O resultado até seria digno de comemoração se não tivesse sido puxado pela cesta de bebidas alcoólicas, cuja alta foi de 15,1%. A cerveja está mais uma vez entre os produtos que registraram maiores altas de vendas no último ano e foi uma das grandes responsáveis pelo lucro dos proprietários das redes de supermercado. Apesar de janeiro ser um mês pesado para os gastos familiares, com impostos e despesas escolares, o brasileiro continua “bebendo grande parte do salário”.


A Abead acredita que apesar dos índices demonstrarem um favorável aquecimento do mercado, dessa vez não há motivos para alegrias. O álcool não é uma mercadoria qualquer e por isso não deve ser tratado como tal. A simples exposição do produto aos frequentadores de supermercado pode ser considerada uma apologia ao “beber”, que se consuma na oferta de doses gratuitas em promoções eventuais, especialmente entre os vinhos. Além disso, as crianças que acompanham os pais durante as compras são precocemente expostas ao estímulo de beber pela mesma disposição de bebidas alcoólicas em suas embalagens coloridas e atraentes nas infinitas prateleiras. É por esses e outros motivos que a Associação defende a venda exclusiva do álcool por lojas específicas com regulamentação própria.

Fonte: ABEAD

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Bento XVI explica significado da festa da Assunção de Nossa Senhora


O Papa Bento XVI explicou que, "na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, celebramos a passagem da condição terrena à bem-aventurança celeste daquela que gerou na carne e acolheu na fé o Senhor da Vida".

O Santo Padre lembrou que a veneração da Virgem Maria acompanha desde o início a caminhada da Igreja e a partir do século IV surgem festas marianas. "Em algumas é evidenciada a função da Virgem na história da salvação, em outras são celebrados os momentos principais de sua existência terrena", disse o Papa.
Bento XVI ressaltou que o significado da festa do dia 15 está contido na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, promulgada pelo Venerável Papa Pio XII em 1° de novembro de 1950. "A Imaculada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, concluída sua vida terrena, foi assunta ao céu na glória celeste em corpo e alma", afirma o documento.


Artistas de todas as épocas pintaram e esculpiram a santidade da Mãe do Senhor adornando igrejas e santuários. Poetas, escritores e músicos tributaram honras à Virgem com hinos e cantos litúrgicos. Do oriente ao ocidente a Mãe do Céu é invocada como santíssima que traz o Filho de Deus nos braços, cuja proteção toda humanidade encontra refúgio com a antiga oração: 'À vossa proteção recorremos, santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mais livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita', destacou o Papa.

Bento XVI ressaltou que no Evangelho do dia 15, São Lucas descreve a plenitude da salvação através da Virgem Maria. No seio de Maria o Onipotente se fez pequeno e Maria depois do anúncio do Anjo visita a sua prima Isabel para levá-la o Salvador do mundo. As duas mulheres, que esperavam a realização das promessas divinas, saboreiam agora a alegria da vinda do Reino de Deus, a alegria da salvação.

Bento XVI exorta-nos a confiar em Maria que "assunta ao céu, não renunciou à sua missão de intercessão e salvação", citando as palavras do Papa Paulo VI.

O Papa pediu à Virgem Maria, guia dos Apóstolos, auxílio dos Mártires e luz dos santos, para que nos acompanhe nesta vida terrena e nos acolha um dia junto de seu Filho Jesus.

Fonte: Vaticano

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

CFM apresenta diretrizes para tratamento de usuários do crack


Preocupado com o crescente número de dependentes, Conselho Federal de Medicina quer
disseminar entre médicos informações úteis para tratamento


 O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou nesta quarta-feira (10) protocolo de assistência a usuários e dependentes de crack. O documento, intitulado Diretrizes Gerais Médicas para Assistência Integral ao Usuário do Crack (acesse), foi formulado pela Comissão de Ações Sociais da entidade a partir de uma pauta de discussões realizadas em 2010 e 2011 em um fórum, um seminário e uma oficina – encontros dos quais participaram especialistas, pesquisadores e representantes de instituições interessadas no tema.

As Diretrizes definem conceitos relacionados à droga e a seu uso, assim como aspectos gerais e específicos do tratamento. A cerimônia de lançamento da publicação foi realizada na sede do CFM, em Brasília, e teve a presença de autoridades do governo, parlamentares, representantes de entidades médicas e de instituições de saúde.

O presidente do Conselho, Roberto d’Avila, destacou que, quando se trata do crack, 1/3 dos usuários morrem (85% deste por causas violentas), outros 1/3 permanecem com deficiências crônicas e perdas cognitivas, e somente 1/3 dos usuários se curam. “Penso que não há ninguém que não fique impressionado com a epidemia que se instalou no país. Todos precisam estar envolvidos nesta luta, e o CFM fará sua parte com projetos continuados e capacitação dos médicos”.

O 2º vice-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo da Fonte (PP-PE), apontou que a ação do CFM é importante no momento em que o uso da droga de tornou uma tragédia. “Se não nos unirmos e tomarmos um providência teremos um amanhã cada vez mais difícil”.

Divulgação - “Em síntese, as Diretrizes servem de guia para capacitar médicos, especialmente do Sistema Único de Saúde, para o atendimento de usuários de crack. O lançamento da publicação marca o início de seu envio para instituições a que estão vinculados profissionais que planejam e executam ações em saúde, como o Ministério e as secretarias estaduais e municipais de saúde e os sindicatos e conselhos de médicos”, afirmou Ricardo Paiva, membro da Comissão de Assuntos Sociais do Conselho.

De acordo com o 1º vice-presidente do CFM, Carlos Vital, o Conselho também incentivará a divulgação das Diretrizes em âmbito nacional e regional. “Apoiaremos a organização de fóruns e seminários sobre o tema pelos conselhos regionais de medicina”, disse. O documento também poderá ser encontrado na internet. (Clique aqui).

 Tratamento
As Diretrizes indicam, por exemplo, o encaminhamento que deve ser dado aos usuários de crack no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), com referência, entre outros recursos, à estrutura de urgências e emergências, de consultórios de rua e de albergues terapêuticos.

Com o auxílio das diretrizes, os médicos poderão avaliar e manejar casos de urgência que envolvam intoxicação, abstinência aguda ou overdose. Os profissionais também passam a dispor de orientações sobre as etapas dos processos de atendimento e as abordagens mais indicadas aos usuários.

Além das diretrizes médicas, o Conselho também apresentou diretrizes para a assistência ao usuário do crack voltadas para a sociedade. Estruturadas sobre três eixos (policial, saúde e social), as recomendações indicam ações que podem auxiliar na redução do consumo dessa droga. “O enfrentamento da droga só será possível se houver uma ação conjunta de vários órgãos do governo e a sociedade”, apontou o presidente do CFM, Roberto d’Avila.

A entidade também mantém o hotsite www.enfrenteocrack.org.br com informações de locais para internações, legislação e campanhas.

Números
Pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), realizada em 2005, indica que 0,7% da população brasileira de 12 a 65 anos havia usado crack pelo menos uma vez na vida.

Entre os entrevistados na pesquisa, 0,1% disse ter usado crack no período de um ano anterior à entrevista e 0,1% afirmou ter consumido a droga no período de 30 dias anterior à entrevista. O maior percentual de pessoas que haviam consumido a droga pelo menos uma vez na vida encontrava-se no grupo de sexo masculino com idade entre 25 e 34 anos: 3,2%, o que à época correspondia a 193 mil pessoas.

A pesquisa revelou ainda que 44,9% da população consideravam “muito fácil” obter crack caso desejasse, o que equivalia a 22.305.000 pessoas. O Ministério da Saúde estima que atualmente existam 600 mil usuários de crack no país. No entanto, há divergências sobre este número. Alguns pesquisadores estimam essa população em torno de um milhão de pessoas.

Outra pesquisa do Cebrid, realizada em 2010 entre estudantes de escolas públicas e particulares das 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal, indica que 0,4% dos estudantes haviam usado crack no período de um ano anterior às entrevistas.

Fonte: UNIAD

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Chance de viver


A internação compulsória não é prisão, não é criminalização, tampouco é varrer o problema das drogas para debaixo do tapete; a questão é urgente.

Desde a época em que implantei as melhorias na infraestrutura da região da Luz, como então subprefeito da Sé e depois secretário das Subprefeituras de São Paulo, há seis anos, venho observando atentamente o flagelo dos dependentes químicos na cracolândia.

Posso afirmar: viver em completo estado de degradação não é uma escolha consciente. Ninguém que esteja gozando minimamente de sua vontade própria pode considerar como opção a realidade dessas pessoas que seguem, todos os dias, a única alternativa que a droga lhes proporcionou como uma dura sentença de morte.

Todos sabemos quão forte e destrutivo é o vício e quão difícil é sair dele.
Nos últimos dias, a internação compulsória tem sido citada como uma possibilidade real de tratamento para quem chegou ao último estágio da dependência.

O tema surge envolto em polêmica e contraposto ao direito de escolha, que é e deve continuar sendo um direito sagrado; mas se tal liberdade já está tolhida pelo uso indiscriminado de drogas, não vejo como desconsiderar a prioridade do direito à vida.

Quando um dependente ainda tem a atenção de sua família, e esta tem condições para tanto, a internação compulsória é um ato de amor. No nível mais alto do flagelo causado pela droga, ele já abandonou a família ou foi abandonado por ela. Não pode também ser abandonado pelo poder público. A meu ver, isso é omissão de socorro.

Obviamente, a internação compulsória deve ser o último estágio de uma política pública baseada na prevenção e na repressão ao tráfico, e isso não se faz apenas com polícia. Enquanto estivemos na prefeitura, lavamos as ruas duas vezes ao dia, iluminamos a região da Luz, fechamos bares, hotéis, ferros-velhos e diversos estabelecimentos ilegais usados pelo crime.

Tudo isso inibiu a presença do traficante, mas em nada melhorou as condições de saúde daqueles que por lá vagavam acendendo seus cachimbos. Para mim, essa experiência deixou claro que se aquelas pessoas não fossem afastadas dali para tratamento adequado, nada seria capaz de salvar suas vidas.

A internação compulsória não é prisão, não é criminalização, tampouco é varrer o problema para debaixo do tapete. A questão é urgente. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgou recentemente os resultados de uma pesquisa com 131 usuários de crack atendidos em uma enfermaria de desintoxicação em São Paulo.

Em 12 anos, dos 107 pacientes, 27 tinham morrido, a maior parte de morte violenta ou de Aids; dois estavam desaparecidos; 13 foram presos e outros 22 continuavam usando a droga. Apenas 43 deles conseguiram se curar do vício.

Número pequeno, mas que dá esperança.

Na edição da Folha de 31 de julho, o psicólogo americano Adi Jaffe, ele mesmo um ex-dependente, defendeu que “até a reabilitação feita à força é melhor do que nada”.

Jaffe foi tratado compulsoriamente, sobreviveu e retomou o controle sobre sua vida. Hoje, trabalha estabelecendo critérios para avaliar a qualidade do tratamento para dependentes químicos. Está vivo. Creio que todos deveriam ter a mesma chance.

ANDREA MATARAZZO é secretário da Cultura do Estado de São Paulo. Foi secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo e subprefeito da Sé (gestões Serra-Kassab), ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (1999-2001), embaixador do Brasil na Itália (2001-2002) e secretário de Energia do Estado de São Paulo (governo Covas).

Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tratamento obrigatório de Drogas - De fato uma violação aos direitos humanos?


Controle de Drogas, Direitos Humanos, e o Direito ao Mais Alto Padrão de Saúde Alcançável: De Forma Alguma Questões Simples

REVISTA TRIMESTRAL DE DIREITOS HUMANOS - Projeto MUSE

Pesquisa de Hoje. Inspiração de Amanhã
Saul Takahashi*

Um dos princípios não declarados, mas fundamentais, da filosofia da redução de danos é que submeter o vício em drogas a tratamento deve ser sempre uma escolha da parte do viciado. Em outras palavras, nenhuma pessoa deve ser forçada ao tratamento do vício em drogas contra a sua vontade, e, na medida em que o viciado ainda não toma a escolha de se submeter ao tratamento, o estado deve fornecer instalações para que ele possa alcançar o mais alto padrão de saúde, levando em conta o fato do seu vício. Como afirmado pelo Centro Canadense de Abuso de Substâncias:

As estratégias de tratamento obrigatório são contrárias às...abordagens de redução de danos. A redução de danos é fundada na noção de oferecer aos participantes escolhas e opções para o seu tratamento, enquanto reconhece que muitos indivíduos com problemas de abuso de substâncias podem não estar dispostos a parar de usar drogas. Em tais casos, é importante “encontrá-los onde estão” a fim de gradualmente reduzir os comportamentos prejudiciais e de alto risco...

Forçar os indivíduos a se submeter a tratamento para abuso de substâncias pode ser visto como uma violação às suas liberdades civis.

Além disso, o direito ao mais alto padrão de saúde alcançável inclui o direito de não receber tratamento médico involuntário de qualquer espécie. O Artigo 12 do ICESR foi o assunto de um Comentário Geral da CESCR que declara:

O direto à saúde não deve ser entendido como um direito a ser saudável. O direito à saúde contém tanto liberdades e direitos. As liberdades incluem o direito de se controlar a saúde e o corpo, incluindo a liberdade sexual e reprodutiva, e o direito de ser livre de interferências, tais como o direito de ser livre de tortura, de tratamento médico não consensual e de experimentação. Por contraste, os direitos incluem o direito a um sistema de proteção da saúde que forneça igualdade de oportunidades para que as pessoas gozem do mais alto padrão de saúde alcançável.

                  Há pouca elaboração sobre o direito de ser livre de tratamento involuntário, e o conceito pode ser tão óbvio a ponto de não precisar de explicações mais aprofundadas. Certamente, tratamento “médico” involuntário tem sido a causa de uma ladainha sobre os abusos dos direitos humanos no mundo, incluindo encarceramento para “doenças mentais” na União Soviética e esterilização forçada de pessoas com doenças mentais na Suécia. As liberdades incluem o direito de se controlar a saúde, incluindo o direito de ser livre de tratamento médico não consensual e de experimentação. Os direitos incluem o direito a um sistema de proteção à saúde (p.e. assistência à saúde e os determinantes subjacentes da saúde) que forneça igualdade de oportunidades para que as pessoas gozem do mais alto padrão de saúde alcançável.

                  Outras organizações têm também argumentado que, se imposto, o tratamento para o vício em drogas é uma violação aos direitos humanos. A Fundação Beckley, por exemplo, inclui o “tratamento coercivo de drogas” entre a ladainha dos abusos dos direitos humanos que acontece dentro do contexto dos esforços contra as drogas. Eles declaram:

Em muitos países, as pessoas que usam drogas podem passar por “tratamento” e “reabilitação” forçados. Ao invés de ser desencorajado, tal tratamento obrigatório é especificamente permitido na Convenção Única de Narcóticos de 1961...A lei da China, por exemplo, dita que “os usuários de drogas devem ser reabilitados.” Aqueles que são presos por posse e uso de drogas devem ser enviados aos centros de desintoxicação forçada sem qualquer julgamento ou outro processo legal semelhante...Por toda a sua “guerra contra as drogas” de 2003, o governo da Tailândia tomou uma variedade de passos coercivos para forçar as pessoas a se inscrever em programas de tratamento de drogas. Inicialmente, o governo tailandês obrigava que todos os usuários de drogas comparecessem a tratamento de drogas. Aqueles que não se “voluntariassem” ao tratamento durante os primeiros poucos meses da guerra contra as drogas estavam sujeitos à prisão e a tratamento compulsório, e eram colocados nas listas negras que eram amplamente publicadas por toda a comunidade local e compartilhadas com a polícia local.

Enquanto as práticas na China e na Tailândia são, de fato, violações aos direitos humanos, é apresentado que a questão não é o tratamento obrigatório, mas a falta do devido processo legal, assim como as condições de detenção que violam as normas dos direitos humanos.

                  Muitos países com procedimentos de justiça criminal muito mais em conformidade com os padrões internacionais dos direitos humanos do que a China ou a Tailândia implementam algum nível de coerção seguindo os procedimentos que aderem aos padrões dos direitos humanos para assegurar que os viciados em drogas se submetam a tratamento. Em especial, vários países usam procedimentos especializados para lidar com transgressores de drogas que não são violentos, incluindo o que são geralmente chamados de “tribunais para dependentes químicos.”De acordo com a UNODC, eles estão em operação na Austrália, Nova Zelândia, Barbados, Bermuda, Brasil, Canadá, Ilhas Caimã, Chile, Jamaica, Trinidade e Tobago, Estados Unidos, Noruega, Escócia e Irlanda.

                  Embora os tribunais para dependentes químicos variem consideravelmente de jurisdição para jurisdição, o modelo geral é o mesmo; os transgressores de drogas que não são violentos (aqueles considerados culpados por simples abuso ou posse de drogas, em oposição ao tráfico) são encaminhados a tribunais especializados que geralmente fornecem ao transgressor a escolha de se submeter a tratamento ou de encarceramento. O transgressor se submete a tratamento enquanto é supervisionado de perto pelo tribunal de drogas, e, geralmente, mais especificamente por equipes multidisciplinares que fornecem ao transgressor assistência em outras áreas. A conclusão bem-sucedida do tratamento leva à suspensão ou indeferimento do processo penal.

                  Alguns praticantes e acadêmicos discordam da eficácia da abordagem dos tribunais para dependentes químicos. Entretanto, os países onde essa abordagem existe concordam que é uma ferramenta útil para encaminhar os viciados em drogas ao tratamento, e a abordagem parece estar em crescimento internacionalmente. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos concluiu que os tribunais para dependentes químicos rapidamente identificam os transgressores usuários de substâncias e os colocam sob monitoramento judicial contínuo e sob supervisão comunitária, juntamente com serviços de tratamento eficientes e de longo prazo...Pesquisas verificam que nenhuma outra intervenção judicial é capaz de alcançar os mesmos resultados produzidos pelos tribunais para dependentes químicos...De acordo com mais de uma década de pesquisas, os tribunais para dependentes químicos melhoram significativamente os resultados do tratamento de abuso de substâncias, reduzem substancialmente a criminalidade, e consegue melhor custo-benefício do que qualquer outra estratégia de justiça.

Um estudo conduzido pela Controladoria Geral dos Estados Unidos revelou “um nível mais baixo de reincidência para pessoas que se submeteram a tratamento através da supervisão dos tribunais para dependentes químicos.” Além disso, a INCB defende o uso de tribunais para dependentes químicos especializados:

O Painel nota, por exemplo, o impacto positivo dos “tribunais de tratamento de drogas,” como tribunais especiais para transgressores de drogas, que têm sido estabelecidos em um pequeno, porém crescente, número de países onde, a propósito, transgressores que apresentam baixo nível de violência podem receber assistência empregando uma abordagem multidisciplinar. O Painel vê potencial nesses tribunais que contribuem mais para lidar com o indivíduo subjacente, segurança pública, saúde pública e problemas comunitários de crimes e violência relacionados às drogas.

Outros países têm abordagens comparáveis, com metas semelhantes aos tribunais para dependentes químicos, buscando promover o tratamento e reabilitação. No Reino Unido, os tribunais podem emitir ordens para a reabilitação de drogas, requerendo tratamento e testes de drogas regulares sob a supervisão do serviço de liberdade vigiada. Em Portugal, as pessoas apreendidas com posse de uma pequena quantidade de drogas - não acima do limite para se supor legalmente que elas estejam cometendo tráfico - são trazidas diante das Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência. Essas comissões são constituídas por pessoas e profissionais legais com experiência médica, psicológica, ou farmacológica, que fazem uma avaliação sobre se a pessoa é viciada em drogas e, em caso positivo, encaminham-na a tratamento. As Comissões para a Dissuasão têm declaradamente sido bem-sucedidas em encorajar números crescentes de viciados a se submeter a tratamento.

                  Em Março de 2008, a UNODC e a OMS publicaram um documento conjunto intitulado “Princípios do Tratamento da Dependência de Drogas.” Embora denominado um “documento de discussão,” o documento claramente ressalta a posição conjunta de ambas as organizações sobre questões a cerca do tratamento do vício em drogas e adota um posição intermediária sobre a questão. O documento ressalta que um dos principais princípios do tratamento deve ser “os direitos humanos e a dignidade do paciente” e afirma que os serviços de tratamento de drogas estão de acordo com as obrigações dos direitos humanos e reconhecem a dignidade inerente de todos os indivíduos. Isso inclui responder ao direito de gozar do mais alto padrão de saúde alcançável e de bem-estar, e assegurar a não discriminação...[com]o qualquer outro procedimento médico, em condições gerais, o tratamento de dependência de drogas, seja psicológico ou farmacológico, não deve ser forçado aos pacientes. Apenas em situações críticas excepcionais de alto risco próprio ou para outros, o tratamento compulsório deve ser obrigatório, em condições e por períodos de tempo específicos como especificado pela lei.

                  Ao mesmo tempo, o documento segue para sublinhar que “quando o uso e posse de drogas resulta em sanções penais impostas pelo estado, o oferecimento de tratamento como uma alternativa à prisão ou a outra sanção penal se apresenta como uma escolha para o paciente/transgressor, e embora isso implique em um grau de coerção ao tratamento, o paciente tem o direito de rejeitar o tratamento e escolher, ao invés dele, a sanção penal.” As duas organizações portanto reconhecem a abordagem dos tribunais para dependentes químicos como legítima, mesmo embora o processo, de fato, envolva forçar os viciados a se submeter a tratamento.

                  Claramente, a decisão de se submeter a tratamento no contexto dos tribunais para dependentes químicos não é estritamente voluntária. Considerando-se que a alternativa seriam sanções penais, incluindo a prisão em alguns casos, os transgressores certamente têm um forte incentivo a se submeter a tratamento. Por exemplo, a Lei de HIV/AIDS do Canadá argumenta que há um número de preocupações com os direitos humanos que ainda precisam ser completamente avaliadas no contexto dos tribunais para tratamento de dependentes químicos...Os tribunais para tratamento de dependentes químicos empregam o peso do sistema judicial criminal para ordenar às pessoas que usam drogas a se submeter a tratamento. O fato de que os participantes entram em tratamento sob a ameaça do encarceramento, ou se abstêm das drogas com o intuito de evitar sanções, tem sérias implicações para o direito à integridade do corpo, o direito à privacidade e o direito à igualdade.

Entretanto, é apresentado que nem todo nível de involuntariedade nessa área é uma violação aos direitos individuais. A sociedade tem um forte interesse em assegurar que as pessoas que são viciadas em drogas se submetam a tratamento para a sua condição e, esperançosamente, superem o seu vício. Mesmo em nível individual, certamente se poderia sustentar o argumento de que assegurar que uma pessoa se submeta a tratamento para vício em drogas, mesmo com um nível de coerção, seria a forma mais eficiente de garantir que ela seja capaz de alcançar o mais alto padrão de saúde possível. Excluir completamente a possibilidade de qualquer nível de coerção seria, em muito casos, excluir a possibilidade de que o viciado possa superar o seu vício.

                  A realidade do vício em drogas é que ele destrói - ou pelo menos suspende - o livre arbítrio do viciado. Ainda que se leve em consideração os variantes graus individuais de vício, a o viciado se encontra em uma situação em que está, até certo ponto, consistentemente sob a influência das drogas. Não se pode fingir que a “decisão” de não se submeter ao tratamento é inteiramente livre. A situação é fundamentalmente diferente da de que se encontra o indivíduo que, por razões religiosas, escolhe não se submeter a um tratamento específico para uma doença fatal. Decisões tomadas sob a influência das drogas não são decisões de livre arbítrio, e basear um argumento na premissa de que isso é assim é se aproximar perigosamente de argumentar que há um direito ao abuso de drogas.

                  É claro, isso não é afirmar que todas as pessoas que abusam de drogas perdem a sua capacidade de tomar decisões racionais. A questão de se o consentimento da parte do viciado é um pré-requisito necessário para que o tratamento do vício em drogas seja eficiente é uma que continua sendo um assunto de debate. Pelo menos algum grau de motivação é desejável, mesmo porque, como uma questão prática, ela geralmente leva a melhores resultados.Entretanto, muito tem a ver com as circunstâncias específicas individuais, e a questão desafia generalizações de qualquer natureza. Declarações gerais de que o tratamento obrigatório é uma violação aos direitos humanos do viciado não são nem úteis nem prática e, no final das contas, não são baseadas na realidade do vício em drogas.

                  A redução de danos certamente tem um papel importante a desempenhar, mas um tanto como uma medida “substituta” até que o viciado se submeta a tratamento e, esperançosamente, supere o seu vício - não como um fim em si. Muitos parecem ter perdido essa visão, fomentando uma abordagem resumida sucintamente em um documento emitido pelo Instituto Transnacional: “um mundo sem drogas nunca existirá. A ideologia da “tolerância zero” precisa ser substituída pelo princípio da redução de danos, que oferece uma abordagem mais pragmática, favorecendo políticas capazes de reduzir os danos relacionados às drogas tanto quanto possível, seja para o consumidor ou para a sociedade em geral.” Indaga-se como esse argumento se desenvolveria na área dos direitos humanos. Enquanto pode-se discutir que um mundo sem violações aos direitos humanos nunca existirá, isso, certamente, não é desculpa para descartar o ideal e continuar a lutar por essa meta. O mesmo deve se aplicar ao controle de drogas.
* Saul Takahashi trabalhou até Março de 2009 no Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crimes como Especialista de Controle de Drogas na Seção de Avaliação de Convenções da Secretaria do Painel Internacional de Controle de Narcóticos. Entretanto, ele começou sua carreira trabalhando para a Anistia Internacional no campo de refugiados, e tem sempre se mantido fundamentalmente um advogado pelos direitos humanos. Takahashi tem um LL.M. em Direito Internacional dos Direitos Humanos pela Universidade de Essex, e tem lecionado questões de segurança humana na Pós-Graduação da Universidade de Tóquio. Ele está atualmente conduzindo pesquisas visando um Ph.D., comparando a eficiência dos corpos de tratados nos campos dos direitos humanos e controle de drogas.
As opiniões expressas neste artigo são exclusivamente do autor, e não necessariamente representam a visão do Painel Internacional de Controle de Narcóticos, do Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crimes, ou de qualquer organização ou órgão dos Estados Unidos.

Revista Trimestral de Direitos Humanos 31 (2009) 748-776 © 2009 de The Johns Hopkins University Press

(as referências desse capítulo estão inseridas no pdf abaixo)
acesse na íntegra: Projeto Muse.pdf

Fonte: UNIAD

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Mais 1 Programa da Sobriedade na FM Dom Bosco


Aconteceu ontem Domingo (dia do Senhor), mais um Programa da Pastoral da Sobriedade na FM Dom Bosco 96,1. Programa esse que já é referência no início das tardes de Domingo.

Por motivo de saúde, o Srº Luís, Coordenador Arquidiocesano da Pastoral da Sobriedade Fortaleza, não pode comparecer, mais ficou na escuta do programa, assim como todos os nossos ouvintes fiéis.

Quem conduziu o programa foi Regina (Coordenadora do Grupo do Santuário Nossa Sonhora da Assunção), onde vivenciamos 9 Passo: Orar e Vigiar, dos 12 que fazem parte do Programa de Vida Nova.



Esse programa é baseado na palavra de Deus, na Doutrina da Igreja, nos Sacramentos e na Pedagogia de Jesus Cristo libertador para nos levar a uma conversão.



A leutura do dia 1 Pd 4, 7-11 - ficou por conta de  Giuliano (Blogueiro).


Reflexão - Orar e Vigiar

                  Para Orar e Vigiar a fim de não cair em tentação é necessário ser uma pessoa moderada e sóbria, praticante da oração diária no amor mútuo. Conservar o amor de Deus em nós significa amar também o irmão. Somente na pedagogia do Amor de Deus é que nos libertamos dos pecados. Um homem orante é um homem hospitaleiro. Acolhe incondicionalmente principalmente os necessitados e o faz sem murmurar. Uma pessoa orante vive de acordo com a graça recebida de Deus e se coloca a serviço dos irmãos. Porque é Deus que nos concede a graça de orar e vigiar.
 
                  Não basta falar do amor de Deus. É necessário vive-lo através da oração colocada em prática, isto é o serviço fraterno para que tudo Deus seja glorificado. É Jesus quem nos ensina a orar e vigiar. Jesus antes de qualquer atividade primeiro orava, dialogava intimamente com o Pai estando assim fortalecido na oração e na vigilância para não cair nas armadilhas do tentador.

                  Rezar sozinho é fácil difícil é orar em família. Por isso a oração familiar e comunitária agrada muito mais a Deus. A graça de Deus pela oração circula em nós e na nossa família quando temos a humildade de orarmos com os irmão por isso tudo aquilo que nós pedimos ao Senhor em oração, ele nos concederá´, por isso clamamos na vigilância que ele nos dê a sobriedade e a paz que precisamos, só por hoje, graças a Deus.

Os avisos e comentários sobre o Blog, ficaram também com Giuliano, onde informou aos ouvintes novidades no end. eletrônico, como o Google+, novo recurso do Blog, e também agora a possibilidade de vc que navega em nosso Blog, assistir a Palestra do Programa de Vida Nova dada por Sr° Luís Alberto (Coordenador Diocesano da Sobriedade) em Cachoeira  Paulista/SP na Canção Nova em 2010. Foi falado também sobre o I CHÁ DA VIDA da Pastoral da Sobriedade (Maraguape), que foi realizado Sábado 06/05/2011 às 19:00hs, em Maranguape.

Pedimos desculpas pelo fato das linhas telefônicas estarem com um probleminha, e só o Agente Nonato de Maranguape conseguiu falar no Ar conosco.

Agradecemos também pelos que ligaram e deixaram recados.

Esse dia foi diferente para uma pessoa que esteve o programa inteiro conosco que foi Jocasta Pimentel (Produtora da FM Dom Bosco), que ficou na técnica nos auxiliando e era a aniversariante do dia... 



PARABÉNS Jocasta, muitas felicidades nesse dia tão especial...


                                               


Lembramos que Domingo que vem dia 15/08,  se Deus quiser, teremos mais um Programa da Pastoral da Sobriedade na Fm Dom Bosco, 96,1 às 13:00hs. Acompanhe e participe.

 
http://www.fmdombosco.com.br/

    
"Sobriedade e Paz, só por Hoje, graças a Deus".

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Internar à força resolve?


Para combater a epidemia de crack, autoridades decidem internar os dependentes compulsoriamente. ÉPOCA foi ver de perto se isso funciona.

Mariana Sanches, Matheus Paggi (texto) e André Valentim (fotos), com Eduardo Duarte Zanelato
A boca ferida, maltratada pelo uso contínuo de cachimbos precários, era uma das poucas partes do rosto de R. que o cobertor marrom e sujo deixava entrever. O corpo miúdo poderia facilmente ser confundido com o de um garoto de 14 anos. Os passos que o conduziam para fora da Favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, eram apenas resignados, não mais relutantes. Enquanto caminhava, R. experimentava momentos de lucidez nos quais tentava resumir sua trajetória.

Aos 25 anos, viciado em crack, sem ter onde dormir, exceto a rua, ele enfrentava o quarto dia sem comer. No dia 19 de julho, foi encontrado e levado à força pela equipe da Secretaria de Assistência Social do município do Rio de Janeiro. “Se for a salvação para mim, eu vou. Sabe por quê? Porque eu tô vendo que se eu ficar aqui, fumando oito, nove pedras por dia, eu não vou aguentar mais. Eu vou morrer.” Antes das 10 horas da manhã, R. já embarcara numa das quatro vans da prefeitura que levaria os usuários de crack recolhidos ali à delegacia e, depois, a algum abrigo para tratamento de dependentes químicos.

A ação da Secretaria de Assistência Social carioca é estridente. Desde maio, três vezes por semana, os agentes sobem os morros da cidade que continuam sob domínio do crime organizado para levar, na marra, os dependentes de crack que povoam as cracolândias da cidade. ÉPOCA acompanhou uma dessas operações no final do mês passado. O trabalho só é possível porque é apoiado por policiais civis e militares, empunhando armas de grosso calibre. Antes dos agentes, o blindado da PM conhecido como “caveirão” sobe o morro. Há troca de tiros entre a polícia e traficantes. Abordados pelos agentes, os usuários costumam reagir de modo arredio. A resposta vem na mesma proporção. O porte físico avantajado e a experiência como segurança de boate, constantes entre os agentes da secretaria, possibilitam que eles terminem por dominar os dependentes, embora com dificuldades.



As operações já resultaram no acolhimento de 1.319 pessoas (1.065 adultos e 254 crianças e adolescentes) em cracolândias. Segundo a prefeitura do Rio, nas áreas onde os viciados são tirados das ruas, o índice de pequenos roubos e furtos costuma cair até 50% nos primeiros dias. Depois de levados das favelas, crianças, adolescentes e adultos têm destinos diferentes. Todos os menores de 18 anos encontrados, de quem o Estado passa a ser o tutor, ficarão cerca de três meses internados contra a própria vontade (e de sua família, eventualmente) em alguma unidade terapêutica da prefeitura. São casas com psiquiatras, clínicos gerais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e grades. Grades por todos os lados. A prefeitura do Rio está convencida de que, sem elas, de nada adianta ter os melhores profissionais. A recuperação seria inviável. Ainda assim, nem sempre se consegue evitar a fuga dos pacientes. Para os adultos, a internação compulsória ainda não é a regra, embora já ocorra em alguns casos, sempre autorizados por um juiz. A prefeitura do Rio afirma que gostaria de adotá-la em larga escala, mas que ainda não encontrou um meio legal de promovê-la.

A medida de internação à força do Rio de Janeiro é pioneira, tem provocado polêmica, mas conquistado cada vez mais adeptos entre os gestores públicos. No Congresso, tramita um projeto de lei que propõe extinguir a necessidade de ação judicial para internar alguém à força. No governo federal, há autoridades simpáticas à ideia. Em São Paulo, onde há a maior cracolândia do país, depois de dois anos de uma política de convencimento de dependentes para que aceitassem voluntariamente ser tratados, a experiência carioca poderá ser repetida em breve. A Procuradoria-Geral da cidade deu um parecer favorável à internação compulsória de usuários de crack. A decisão agora cabe ao prefeito Gilberto Kassab, que já admitiu publicamente ver a internação forçada como uma resposta para o histórico problema do município. Estima-se que, pela cracolândia paulistana, perambulem quase 2 mil pessoas diariamente. A internação na marra funciona? Representa uma solução para as famílias que sofrem o drama de ter dependentes em crack?

A despeito das críticas daqueles que veem na proposta apenas uma tentativa de limpar as ruas, diversos motivos empurram os governantes à medida extrema da internação compulsória. A droga surgiu no Brasil no fim da década de 1980 e ficou restrita aos grandes centros urbanos e às populações de classe baixa por mais de uma década (leia o quadro abaixo). Nos últimos anos, o crack se espalhou pelo país, atingiu todas as classes sociais e ganhou contornos de epidemia. Nas eleições presidenciais do ano passado, o combate à droga emergiu como um dos assuntos mais discutidos da campanha. Na ocasião, a então candidata petista, Dilma Rousseff, chegou a declarar que o crack era “uma das questões mais desafiantes” de sua futura gestão.

Não existem estatísticas sobre o número de usuários no Brasil. Uma estimativa feita pela Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, com base nos dados do Censo de 1999 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sugere que eles sejam 1,2 milhão de pessoas. O governo federal deverá divulgar nas próximas semanas os resultados da maior pesquisa já feita sobre o assunto no país. Foram ouvidos 50.890 estudantes de ensino fundamental e médio em todas as capitais e no Distrito Federal. Deles, 0,6% admitiu já ter usado crack ao menos uma vez na vida. Parece pouco se comparado ao número dos que já provaram maconha (5,7%) ou álcool (60,5%). Mas não é. “As pessoas de bom-senso sabem que estamos diante de uma epidemia de crack”, diz o médico Drauzio Varella, favorável à internação compulsória.

A comparação entre o número de usuários de crack e os de outras drogas, como maconha e álcool, também não revela a magnitude dos prejuízos físicos e sociais que cada uma dessas drogas produz. “Existem dois tipos de usuário: aqueles que usam compulsivamente a droga até acabar e que, tão logo acabe, partem em busca de mais e aqueles que fazem um uso controlado da substância”, afirma o psiquiatra Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “A grande maioria dos usuários de crack pertence ao primeiro grupo.” A necessidade de repetir o êxtase obtido no consumo da pedra pode levar o viciado a abandonar a própria casa e a família e a cometer crimes. Maltrapilhos, vagando pelas ruas em meio a lixo e entulho e sob o constante delírio provocado pelas baforadas de crack, eles parecem estar completamente desprovidos da capacidade de escolher, de exercer as próprias vontades com autonomia. De acordo com os defensores da medida, esse estado degradado dos dependentes justifica a internação compulsória.

A vida de A., de 14 anos, é uma sucessão de evidências favoráveis a esse argumento. Viciada em crack
desde os 9, ela chegou a se prostituir para comprar a pedra. Nas cracolândias, contraiu HIV, sífilis e tuberculose. Internada compulsoriamente no Rio há dois meses, tenta se recuperar do vício. Simpática, revela, ao fim de cada frase triste, um sorriso banguela. O dente perdido é uma das consequências de sua compulsão química. Desesperada para fumar e sem dinheiro, aos 11 anos A. surrupiou uma pedra de R$ 5 do estoque de um traficante. Descoberta, levou uma surra que lhe extirpou parte do sorriso. Nas regras de conduta rígidas do crime, é razoável considerar que A. teve sorte de não ter sido morta. Os criminosos parecem ter entendido antes do Estado o potencial devastador do crack. Nas cadeias brasileiras sob mando do crime organizado, a lei tácita dos presos é taxativa: é proibido o consumo de crack atrás das grades. “Nos presídios do país, as facções chegaram à conclusão de que era melhor abolir o crack porque o uso acaba por interferir na hierarquia da cadeia e atrapalha o negócio. Se você fuma crack dentro da cadeia, toma uma surra que nunca mais esquece. E, se você trafica, eles te matam”, diz Drauzio Varella.

Fora dos presídios, nem o Estado nem as famílias conseguiram exercer um controle sobre o uso do crack tão estrito como o imposto pelas facções criminosas. Nenhuma das tentativas feitas pela camareira Terezinha dos Santos, de 38 anos, do Rio de Janeiro, de amarrar os pés e as mãos da filha para mantê-la em casa funcionou. Viciada em crack, era comum que J. passasse temporadas fora de casa. “Ela saía de casa arrumada, com uma roupa bonita. Voltava dias depois, com outra roupa, fedendo, machucada, faminta e agressiva”, diz Terezinha. “A gente sabia que ela saía, mas não sabia se voltava.” Da última vez que fugiu para a cracolândia, J. não voltou. Foi encontrada pela equipe de assistência social do Rio dez dias depois de ter saído de casa. Ela resistiu à abordagem e não admitia estar grávida de oito meses. Como já tinha 22 anos, não poderia ficar internada compulsoriamente sem uma decisão judicial. Depois de capturada pela assistência social, ela teria direito a sair do abrigo.

A prefeitura do Rio e a mãe da garota recorreram ao Judiciário. “Foi uma luta para conseguir uma decisão judicial que obrigasse ela a ficar internada”, diz Terezinha. J. passou o fim da gravidez num quarto de hospital vigiado por policiais, que a impediram de fugir. Depois de nascer, o bebê teve de passar por uma desintoxicação durante dez dias. “Ela não tinha noção do que estava fazendo, não tinha como decidir nada, e isso era claro. Mas eu não conseguia interná-la à força porque o processo judicial é complicado”, diz a mãe. A depender do Legislativo, é possível que outras mães sejam poupadas do périplo de Terezinha. O deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS) propôs, em projeto de lei, extinguir a necessidade de uma decisão judicial para internar um dependente à força. A palavra de um médico bastaria como aval para que a família ou o Estado ponham, na marra, crianças ou adultos em hospitais. A proposta já foi aprovada na Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados e deverá ser encaminhada ao plenário nos próximos meses. Se aprovada, permitiria uma onda de internações compulsórias.

A aprovação da lei pode gerar uma grande discussão judicial, já que alguns juristas interpretam-na como inconstitucional, por ferir o direito de ir e vir garantido aos cidadãos pela Carta Magna de 1988. A Ordem dos Advogados do Brasil manifestou-se publicamente contra a medida da prefeitura do Rio. “As pessoas maiores de idade, salvo se interditadas, podem praticar todos os atos da vida civil: podem votar, podem casar, ir aonde quiserem. Em hipótese alguma, podem ser compulsoriamente internadas. Vou até mais longe: se o Kassab e os outros governantes insistirem nisso, correrão o risco até de parar num tribunal penal internacional por praticar crime contra a humanidade”, afirma o jurista Wálter Maierovitch. Os defensores da medida lembram que a mesma Constituição garante o direito à vida aos cidadãos. “Vamos botar na balança: o que é mais importante? O direito à vida e à saúde ou o direito de ir e vir?”, diz o promotor Marcelo Luiz Barone, de São Paulo. Barone faz parte do grupo do Ministério Público paulista que se dedica a estudar formas de pôr em prática uma interdição judicial coletiva aos crackeiros da cidade. “O bem maior garantido pela Constituição é a vida do ser humano”, afirma.

O tema é especialmente sensível porque, há mais de 20 anos, o movimento mundial antimanicomial luta para pôr fim aos hospitais psiquiátricos, em que se encarceravam por décadas doentes mentais e dependentes químicos. “Nenhum país democrático do mundo tem instituições fechadas”, diz a vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antonio (PMDB), que acumula a função de secretária de Assistência Social. A despeito de ser integrante da gestão Kassab, Alda se opõe à internação compulsória. A Europa descreveu o caminho oposto àquele ao qual o Brasil parece rumar na tentativa de combater a dependência química. Diante dos maus resultados dos parques de consumo, em países como Suíça e Holanda, os governos locais optaram por criar as “narcossalas”, espaço em que o uso da droga é liberado, mas controlado, e em que se aplicam técnicas de redução de danos. De acordo com o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), nenhum país do continente adota medidas de internação compulsória.

Nos Estados Unidos, o Estado propôs outra maneira de levar viciados ao tratamento. Criou cerca de 1.400 tribunais exclusivos para os usuários de drogas, em todo o país. Dependentes químicos apanhados com drogas, em vez de prisão, são obrigados a ficar internados para combater o vício. No Brasil, desde 2006, os usuários de droga não podem ser punidos com prisão. Os críticos da adoção da internação compulsória como política pública veem na medida uma reversão da tendência mais humanizada no tratamento aos viciados em drogas. Segundo essa visão, seria aberto um perigoso precedente para a reedição, no mundo real, de enredos como o do filme Bicho de sete cabeças, em que um usuário de maconha é internado à força num manicômio. O assunto divide até mesmo o governo federal. Segundo ÉPOCA apurou, o Ministério da Justiça aceita discutir a ideia da internação forçada. No Ministério da Saúde, há resistência.

Há ainda a discussão sobre a eficácia da internação compulsória. Os psiquiatras dizem que ela pode funcionar ou não – e que o sucesso da internação, voluntária ou involuntária, depende da reinserção social e do acompanhamento cuidadoso do paciente depois da alta. “Nos casos mais graves, a internação é a alternativa mais segura. O ideal seria que ninguém precisasse disso, mas a dependência química é uma doença que faz com que a pessoa perca o controle”, afirma o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, favorável à medida.

Baseado em sua própria experiência, João Victor Melhado, de 29 anos, coordenador de uma casa de tratamento de dependentes químicos, é taxativo ao discordar e dizer que internar à força não funciona. Durante seis anos, ele foi viciado em crack. Chegou a gastar R$ 1.200 por mês em drogas. O desespero da família de classe média, do interior paulista, levou-o a nove internações. Numa delas, foi carregado na marra. “Acordei com três caras em volta de mim. Eles me algemaram e me enfiaram num camburão. Eu nem sabia se estava sendo levado para a prisão. Só descobri depois de chegar lá que estava numa clínica particular de recuperação”, diz Melhado. Em dois meses, ele conseguiu fugir do lugar e voltou ao crack. Sua recuperação só aconteceu quando, em 2009, por vontade própria, ele se internou. Passou um ano em tratamento. Está há dois anos sem usar drogas e agora trabalha para recuperar outros jovens. “Não adianta chamar ambulância, forçar, enjaular. Eu já passei por isso e sei que não recupera ninguém”, afirma Melhado.

A garota A., do Rio, afirma que é somente graças à internação forçada que ela está viva. Faltava à menina discernimento e condições psíquicas de pedir ajuda. “Cheguei aqui pesando 23 quilos. Agora estou com 50 e poucos. Aqui é tudo bom, tem comida na hora certa, os educadores são bons”, diz. Ainda assim, o comportamento de A. não dissimula a dificuldade da jornada. Entre os sorrisos e as brincadeiras, ela implora a uma das educadoras um cigarro para saciar sua fissura.

Além da discussão legal, médica e filosófica, há problemas práticos. O Estado brasileiro dispõe de escassas vagas para internação – compulsória ou não – e tratamento de dependentes químicos. Em São Paulo, há 317 leitos para esse fim, entre parcerias com instituições privadas e o serviço da própria prefeitura, criado no ano passado nas instalações de um antigo motel. O problema se repete sistematicamente nos grandes e pequenos municípios do Brasil. E manter essa população internada sai caro. No Rio de Janeiro, cada criança abrigada compulsoriamente no serviço da prefeitura custa cerca de R$ 3 mil por mês. Em São Paulo, a manutenção de hospital com 80 leitos municipais exige R$ 1,3 milhão mensais.

SEM AUTONOMIA
Aglomeração de usuários de crack no bairro da Luz, em São Paulo, por onde circulam cerca de 2 mil pessoas por dia. A prefeitura estuda adotar a internação compulsória porque entende que os dependentes não são mais responsáveis por si mesmos Uma alternativa tem sido encaminhar dependentes a comunidades terapêuticas, a maioria ligada a instituições religiosas. Uma das maiores em atividade no Brasil, a católica Fazenda da Esperança abriga quase 2 mil pessoas em 55 unidades espalhadas pelo país. O tratamento, que dura um ano, consiste em manter uma rotina de trabalho e convivência comunitária e exercitar a espiritualidade. Não há remédios ou acompanhamento médico. Só são aceitos dependentes que queiram se tratar. Desde janeiro, a Fazenda da Esperança firmou uma parceria com a prefeitura de São Paulo e tem tentado convencer os usuários da cracolândia paulistana a se internar. Até agora, apenas 12 aceitaram a ideia. “O prefeito Kassab veio aqui, demonstrou sua preocupação de não saber o que fazer, eu disse a ele que podia oferecer o nosso jeito”, afirma o idealizador do projeto, o frei alemão Hans Stapel. “Mas o alertei de que não aceito mudanças e não vou internar ninguém à força.”

Segundo Stapel, cerca de 80% dos pacientes tratados por seu método se mantêm distantes da droga, um porcentual de sucesso superior à taxa de recuperação média das clínicas, que recuperam entre 20% e 30% dos dependentes. O papel da religião na recuperação dos viciados provoca controvérsia. “A dependência química é uma doença complexa e requer um tratamento complexo. Não vai ser com oração que você vai tratar adolescente dependente de crack”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira. Mas trabalhos realizados por psiquiatras têm demonstrado que a religião pode funcionar como um meio de reinserção social e afastar o risco da dependência. Em 2004, uma pesquisa feita pela Unifesp com jovens moradores de favelas de São Paulo em que havia prevalência de tráfico de drogas mostrou que aqueles que não se tornavam dependentes químicos atribuíam sua distância dos narcóticos ao respeito à mãe e, em segundo lugar, à religiosidade.

Não há respostas fáceis para o tratamento dos dependentes químicos, especialmente no caso de uma droga tão destrutiva como o crack. “A internação compulsória é um recurso extremo, e não podemos ser ingênuos e dizer que o cara fica internado três meses e vira um cidadão acima de qualquer suspeita. Muitos vão retornar ao crack. Mas, pelo menos, eles têm uma chance”, diz Drauzio Varella. Longe de ser uma solução ideal, a internação compulsória talvez seja a única resposta para os casos mórbidos criados pelo vício em crack.


Uma epidemia que mata 100 por dia

RUTH DE AQUINO - é colunista de ÉPOCA

A causa não é fome, guerra, vírus ou bactéria. Uma vida se perde a cada 15 minutos em acidentes de trânsito no Brasil. Olhe seu relógio e pense: “100 brasileiros morrem a cada 24 horas em ferragens, no asfalto e na calçada”. Por ano, são 36 mil – no cálculo mais conservador. Esses são os mortos. Sem contar os amputados e paraplégicos. Motoristas, passageiros, pedestres, ciclistas, motociclistas. Eu sei, você sabe. E quem dirige carros potentes, alcoolizado e a 150 quilômetros por hora também sabe.

Desastres recentes, no Estado de São Paulo, envolveram gente de muita grana e na idade mais perigosa segundo as estatísticas da violência sobre rodas: entre 20 e 30 anos.

A nutricionista Gabriella Guerrero Pereira, de 28 anos, perdeu o controle do Land Rover blindado e atropelou na calçada o administrador Vítor Gurman, de 24, na Rua Natingui, na Vila Madalena, bairro com bares e restaurantes lotados à noite. Gabriella deu entrevista, chorou, disse que assumiu a direção do carro “robusto mas instável” porque o namorado estava bêbado. “A rua é muito estreita para a proporção do carro. O acidente aconteceu”, disse ela. Gabriella não fez exame de bafômetro “porque o PM não pediu”. O PM desmentiu. Disse que ela se recusou. Vítor morreu dias depois do atropelamento.

O engenheiro Marcelo Malvio Alvez de Lima, de 36 anos, dirigia um Porsche na Rua Tabapuã, no bairro Itaim Bibi. Num cruzamento, chocou-se com o Tucson da advogada Carolina Menezes Cintra Santos, de 28 anos. Carolina tinha cometido um erro: ela passava o sinal vermelho lentamente, quando foi atingida pelo Porsche de Marcelo. O engenheiro foi acusado de estar a 150 quilômetros por hora, numa rua que permite velocidade máxima de 60 quilômetros por hora. Ele nega. “Não sou bandido”, disse, em entrevista. Tinha bebido, segundo ele, “não mais do que duas taças de vinho”. Não gostou de ficar conhecido como o “dono do Porsche”. Sobre o desastre, afirmou: “Aconteceu um acidente, ela faleceu, com certeza isso estava nos planos de Deus”. Marcelo pagou R$ 300 mil de fiança. Carolina morreu no instante da colisão.

O administrador João Luís Raiza Filho, de 30 anos, perdeu o controle de seu Chevrolet Camaro, subiu no canteiro de uma praça em São Bernardo do Campo, bateu em árvores e derrubou um muro. Como estava nu da cintura para baixo, um PM precisou emprestar a ele uma cueca para sair do carro. No banco ao lado do motorista, havia uma garrafa vazia de uísque. Raiza Filho já foi personagem de “Nossa Antena”. Em outubro de 2007, o playboy, então com 27 anos, destruiu sua Ferrari na véspera do GP de Fórmula 1 em São Paulo. Bateu sob um viaduto. Deu cabeçada na boca de um cinegrafista. Teve de pagar R$ 3 mil pela agressão. Há quatro anos, esta coluna dizia o seguinte: “Numa sociedade em que nossos atos têm consequência, esse rapaz seria condenado a prestar serviços à comunidade. Se seu castigo for apenas trocar uma Ferrari por um Mercedes, nada mudará em sua vida”. E não mudou mesmo. Errei na marca do novo carro.

Olhe seu relógio e pense: uma vida se perde a cada 15 minutos em acidentes de trânsito no Brasil
Raiza Filho não matou ninguém ainda. Mas é evidente que ele e milhões de motoristas são um perigo real para si e para a sociedade. Pilotam estimulados por álcool, deprimidos por drogas ou excitados pela sensação de onipotência. Ainda há os que simplesmente não sabem dirigir e não poderiam ter carteira de habilitação. Temos ao volante um exército de homicidas e suicidas em potencial. O trânsito brasileiro mata 2,5 vezes mais que nos Estados Unidos e 3,7 vezes mais que na Europa, segundo um estudo divulgado em dezembro de 2009.

“Não é possível que haja no Brasil muitos problemas mais graves do que 100 mortos em acidentes a cada dia.” A declaração é do diretor-geral de trânsito na Espanha, Pere Navarro Olivella, de 59 anos. A Espanha reduziu em 57% as mortes nas estradas. Não basta educar, é preciso vigiar e punir. As campanhas devem ser duras, segundo ele: “Ridicularizar infratores reincidentes, mostrar deficientes e crianças acidentadas na TV”. Acidente de trânsito “não é maldição divina e deve ser combatido como doença grave”, disse Olivella. Chega de culpar o destino e Deus.

Fonte: Revista ÉPOCA

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Traficantes usavam imagem de Jesus para indicar venda


Um dos líderes do grupo que usava imagens de Jesus Cristo e Nossa Senhora Aparecida para que os usuários encontrassem o ponto de drogas foi preso na manhã desta quarta (03). Os traficantes atuavam na zona sul de São Paulo.


A Polícia Civil gravou a atividade do grupo durante uma investigação de seis meses. Nesta quarta foram apreendidos ainda uma metralhadora, um colete a prova de bala, munições e frascos contendo lança perfume. A detenção aconteceu em Americanópolis.

Segundo o delegado Francisco Solano de Santana, da Delegacia de Repressão a Roubos e Extorsões (Derex), os envolvidos eram investigados por roubo à residência. "O dinheiro obtido nos ataques ajuda a capitalizar o tráfico de drogas", explicou. Um outro integrante do grupo, um rapaz de 18 anos, foi preso dia 17 de julho, por policiais militares.

Fonte: Diário do Nordeste

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Polícia britânica encontra uma tonelada de cocaína em iate de luxo


Drogas podem valer R$ 763 milhões e estavam tão bem escondidas que a polícia levou seis dias para encontrá-las.

A polícia britânica encontrou 1,2 tonelada de cocaína em um iate de luxo em Southampton, na maior apreensão da História do país de drogas com a classificação A.

Segundo a polícia, a cocaína foi encontrada há dois meses no iate Louise e vale entre 50 milhões (cerca de R$ 127 milhões) e 300 milhões (aproximadamente R$ 763 milhões) de libras.


A droga tem 90% de pureza e estava tão bem escondida que os policiais demoraram seis dias para encontrá-la.

Segundo a polícia, o iate Louise partiu do Caribe com destino à Holanda. A polícia holandesa prendeu seis suspeitos de integrar um cartel de drogas.

Operação internacional
A Agência de Fronteiras da Grã-Bretanha informou que as autoridades da França foram alertadas a respeito da carga quando a embarcação ainda estava no Caribe, em maio. O Louise então foi localizado em Southampton, a caminho da Holanda.

A busca no barco durou seis dias, e policias encontraram as drogas embaladas dentro de um compartimento especial, embaixo de uma plataforma do iate.


Segundo autoridades britânicas, a droga saiu da América do Sul e foi colocada no iate enquanto o Louise estava atracado na Venezuela.

Desde que as drogas foram encontradas, em junho, a Agência de Fronteiras da Grã-Bretanha ajudou a polícia holandesa a encontrar outros integrantes do grupo responsável.

Dois homens de 44 anos foram presos em Amsterdã, um de 60 anos, em Mepple, e outros dois, um de 32 e outro de 34 anos, em Heusden. Na cidade holandesa de Waalwijk outro homem, de 27 anos, foi detido.

A polícia também apreendeu um total de 100 mil euros (mais de R$ 666 mil), duas motos Harley Davidson, duas armas de fogo, um silenciador e uma quantidade não divulgada de pílulas de ecstasy.

Fonte: G1

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Brasil é o país que mais consome anfetaminas no planeta



Uso ocorre pela ingestão exagerada de inibidores de apetite.

Nenhum outro país do mundo consome tanta anfetamina como o Brasil: são mais de quatro toneladas por ano, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). A substância está presente na maioria dos inibidores de apetite. E para "perder" peso rapidamente, muitos esquecem que podem "perder" também a vida com fórmulas mirabolantes.



Descubra os prós e contras dos emagrecedores:


A anfetamina é uma substância química que estimula o sistema nervoso. Com ela, o organismo funciona em alta velocidade, o coração acelera, a pressão sanguínea sobe e o cansaço desaparece. Diante desse quadro, a pessoa fica confiante, agitada e sem apetite. E pior: pode causar dependência.

 


Ainda segundo a OMS, um milhão e meio de brasileiros já consumiram a droga, com orientação médica. Mas seu consumo também é feito de forma irregular.

O vício pode vir com apenas seis meses de uso. Por isso, os inibidores de apetite precisam de receita.

No entanto, conseguir a medicação sem receituário, ou com uma receita falsa é recorrente em grandes cidades como São Paulo.

Fonte: R7

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Vem ai: 9ª Caminhada com Maria - Entenda o seu significado



Iniciávamos em 2003, por ocasião da festa de Nossa Senhora da Assunção, Padroeira da Cidade de Fortaleza, e nas comemorações dos 150 anos da Diocese de Fortaleza, a CAMINHADA COM MARIA.

O tempo passa veloz. Neste ano estaremos realizando pela nona vez esta manifestação de religiosidade e fé do Povo de Deus em nossa cidade e arquidiocese de Fortaleza. À proposta inicial a resposta foi muito acima da esperada, a todos nos surpreendendo. E a cada ano nos surpreende mais o crescimento do número de fiéis que se unem nesta caminhada de fé em homenagem à Mãe de Jesus e nossa Mãe, Mãe da Igreja e Padroeira de nossa Cidade de Fortaleza.

Por que caminhamos com Maria? Esta pergunta não pode deixar de nos desafiar, quando mais de um milhão de pessoas expressam sua devoção! Como aconteceu em sua vida terrena, a mãe de Jesus de Nazaré viveu toda voltada para seu filho, o Filho de Deus encarnado, o Cristo Senhor. Toda de Jesus, Maria é em si mesma um chamado e um testemunho: VIVER PARA JESUS, O CRISTO SALVADOR. Todos os anos o tema da Caminhada tem nos colocado nesta dimensão de seguimento de Cristo:
  • 2003 – Caminhamos com Maria, em seu Caminho que é Jesus. – 150 anos da Arquidiocese de Fortaleza e Ano do Rosário proclamado pelo Papa João Paulo II
  • 2004 – Caminhamos com Maria, modelo insuperável da contemplação de Cristo. – 150 anos do dogma da Imaculada Conceição e 100 da coroação de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil.
  • 2005 – Com Maria seguimos Jesus Eucaristia. – Ano da Eucaristia proclamado pelo Papa João Paulo II
  • 2006 – Com Maria somos discípulos e missionários de Jesus Cristo. – rumo à V Conferência do Episcopado Latino Americano e do Caribe. Ela foi convocada pelo Papa João Paulo II e confirmada pelo Papa Bento XVI para realizar-se em Aparecida – Cidade Santuário Mariano Nacional do Brasil, dos dias 13 a 31 de maio de 2007.
  • 2007 – Com Maria, discípula e missionária de Jesus, a serviço da vida. – das conclusões da V Conferência já realizada em Aparecida.
  • 2008 – Caminhamos com Maria, Mãe dos discípulos de Jesus Cristo. – na celebração do Ano Paulino proposto pelo Papa Bento XVI.
  • 2009 – Caminhamos com Maria na fidelidade de Cristo. – na celebração do Ano Sacerdotal estatuído pelo Papa Bento XVI.
  • 2010 – Caminhamos com Maria: Fica conosco, Senhor! – na sintonia com o Congresso Eucarístico Nacional por ocasião dos 50 anos de Brasília, Capital Federal.




Neste ano 2011, a Caminhada com Maria não poderia deixar de ser marcada pela Exortação Apostólica Verbum Domini do Santo Padre Bento XVI sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Caminhamos com Maria, acolhendo Jesus – a Palavra de Deus. Jesus é a Eterna Palavra do Pai, que se fez carne no seio virginal de Maria por obra do Espírito Santo e habitou entre nós.

Quem como Maria nos poderá ensinar e encaminhar a seguir Jesus, a Palavra do Pai? Ela a acolheu primeiro em seu coração, respondendo o “sim” incondicional: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1,38) E então a acolheu em seu seio fecundado pelo poder divino, pelo Espírito Santo: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1,14)

Com Maria acolhemos Jesus. São delas as palavras que marcaram o primeiro sinal do Reino de Deus realizado por Jesus: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” (Jo 2, 5)

Esta Palavra de Deus foi totalmente vivida por ela no caminho de sua vida e tornou-se modelo para o caminho de vida de todos os discípulos e discípulas de Jesus. Da anunciação à sua glorificação foi a seguidora por excelência do Caminho, que é Jesus, e com Ele participou dos gozos, das luzes, das dores, da glória. Mãe e Modelo para todos os cristãos, como nos recordou o Concílio Vaticano II: “L.G. 53. A Virgem Maria, que na anunciação do anjo recebeu o Verbo de Deus no seu coração e no seu corpo, e deu a vida ao mundo, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. Remida de modo mais sublime em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a ele por vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a sublime prerrogativa e dignidade de Mãe de Deus Filho, e, portanto, filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo; com este dom de graça sem igual, ultrapassa de longe todas as outras criaturas celestes e terrestres. Ao mesmo tempo encontra-se unida na estirpe de Adão com todos os homens que devem ser salvos; mais ainda, é “verdadeiramente mãe dos membros (de Cristo)… porque com o seu amor colaborou para que na Igreja nascessem os fiéis, que são os membros daquela cabeça”.3 Por esta razão é também saudada como membro supereminente e absolutamente singular da Igreja, e também como seu protótipo e modelo acabado da mesma, na fé e na caridade; e a Igreja católica, guiada pelo Espírito Santo, honra-a como mãe amantíssima, dedicando-lhe afeto de piedade filial.”

Esperamos assim, mais ainda, com nossa manifestação pública e comum, fazer com Maria o Caminho que é Cristo. E testemunhá-lo presente em nós, Sua Igreja, para levá-lo a todo o mundo. Que a CAMINHADA COM MARIA não seja apenas um ato devocional, mas verdadeiro ícone da própria vida de discípulos e discípulas em Cristo.

“O que é a alma para o corpo, assim são os cristãos para o mundo.” (Carta a Diogneto – séc. II) Possamos ser e nos manifestar como o Corpo de Cristo, sendo alma para a nossa cidade, que tem como padroeira Nossa Senhora da Assunção.

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo de Fortaleza
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